Irã e Israel como farinha do mesmo saco
Acima, Ahmadinejad faz seu discurso a ONU
Quando eu e mais um grupo de amigos começamos a APES, a idéia era transformar a revista e este blog em uma espécie de fórum particular: aqui, nossos interesses, idéias e pouco talento poderiam estar colecionados e articulados, criando condições para que nossas opiniões pudessem ser espraiadas e debatidas.
Por algum tempo relutei em escrever algumas palavrinhas sobre política: achava descabido. Mas as vezes, questões surgem, e, ao mesmo tempo, criam a necessidade infinita de marcar uma posição, de apontar um dedo em uma direção. De fazer - porque não? - uma ou duas perguntas.
No último dia 20 de abril, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em conferência na reunião anti-racismo nas Nações Unidas, fez um discurso onde afirmou que Israel era um país racista. Em meio as declarações, mais de 40 embaixadores europeus deixaram o pavilhão onde ocorria a cerimônia, em protesto as palavras do iraniano. No discurso, Ahmadinejad afirmou que europeus e norte-americanos colaboraram para deixar os palestinos sem pátria depois da Segunda Guerra Mundial.
A defesa de Israel foi imediata e fulminante: em crítica aberta, declarou que Ahmadinejad era um anti-semita que negava a possibilidade da existência do Estado de Israel, e que estas declarações faziam eco a opiniões anteriores: a negação, por parte do presidente do Irã, da ocorrência do holocausto.
Ahmadinejad não é santo, nem arauto da idoneidade ou da justiça. Pelo contrário, é uma figura odiosa, limitada e pedante. Mas este é um flagrante caso do sujo falando do mal lavado. Israel é um Estado religioso, e afirma isto em sua constituição, assim como o Irã. Seus primeiros ministros declararam para quem quer ouvir a impossibilidade da existência dos palestinos enquanto povo, assim como o Irã faz com Israel. Os líderes palestinos negam veementemente a subjugação que promovem do povo palestino, assim como Ahmadinejad nega o holocausto dos alemães contra o povo judaico. A lista é infinita.
Israel e Irã são faces da mesma moeda, onde a religião, a incoerência e o ódio são mercadorias de troca corrente e amplamente aceitas. Mas neste ocorrido, um fato torna-se ainda mais perturbador: a vergonha do Ocidente. A mácula deixada pela Segunda Guerra Mundial ao povo judeu é uma mancha que tapa as possibilidades de uma posição firme da comunidade internacional às reiteradas ações de Israel ao povo Palestino. A minha pergunta é: quanto destes embaixadores europeus que deixaram a reunião sobre racismo nas Nações Unidas, questionaram os líderes Israelenses sobre a guerra assassina promovida por Israel aos Palestinos entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009? Minha posição aqui é clara: a defesa dos palestino precisa ser feita com melhores argumentos. Mas nunca em silêncio.
Abaixo, pequeno documentário sobre as ações de Israel em Gaza
Mostrando postagens com marcador Israel. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Israel. Mostrar todas as postagens
4/21/2009
Assinar:
Postagens (Atom)