4 - The Flaming Lips - Embryonic
Outra banda norte-americana, agora de Oklahoma. O The Flaming Lips tem estrada e dispensa apresentações. Formado lá em meados dos anos 80, a banda conquistou uma sólida carreira no rock idependente. Zaireeka (de 1997), The Soft Bulletin (de 1999 e Yoshimi Battles the Pink Robots (de 2002) foram aclamados e incessados pela crítica, que colocou o Flaming Lips como uma das bandas mais importantes e interessantes da atualidade. Particularmente, eu apenas “gostava” dos Lips. Vi o show deles por aqui em 2007, achei lindo e gostoso de ver. Mas só. As letras e melodias de Mark Coyne apesar de interessantes, nunca me pegaram de verdade.
Mas com Embryonic foi tudo diferente: o primeiro álbum duplo da banda me cativou logo na primeira impressão. Com a participação de vários convidados especiais (como Karen O do Yeah! Yeah! Yeahs! e o duo MGMT), Embryonic vai muito mais fundo que os outros discos da banda no que se refere a experimentação. Aqui, a banda assume sua postura Space/ Psycodelic Rock dos anos 60 e 70, e produz um disco absolutamente sensacional. Impossível não ficar atordoado com a maestria da execução e da produção. Para ouvir com fone descente, com o som no talo.
3 - Converge - Axe to Fall
A primeira vez que ouvi o Converge foi com o álbum Jane Doe, e sua primeira música, Concubine. Assim que a música começou, lembro de que minha primeira reação foi um “caralho! puta que pariu!”. Assim é o Converge. Para quem não conhece, os caras praticam uma interpretação extremamente brutal de hardcore, com grandes porções de heavy e trash metal, que convencionou-se a chamar de Metalcore. Mas com o Converge tudo é um passo a frente destas denominações: é impressionante como uma banda consegue ser tão brutal e tão técnica ao mesmo tempo.
Axe to Fall é, com certeza, um dos melhores trabalhos da banda. O álbum contou com a colaboração de diversos músicos da atual cena de música extrema dos Estados Unidos, como Steve Von Till do Neurosis, Steve Brodsky do Cave In, Sean Martin do Cage, e muitos outros. Aliás, a própria colaboração entre músicos de diferentes bandas era uma das razões principais do disco, onde a banda, em conjunto com seus convidados, buscaram construir um trabalho e caráter coletivo.
O mais incrível do álbum é sua dinâmica: indo do absoluto caos, para a peso do doom, com incursões em experimentações semi-jazzisticas. Tudo e maneira coesa, com cada nota no seu devido lugar. A recepção da crítica para o disco não fez por menos: Axe to Fall foi o disco do ano pela Decibel Magazine.
Ps. Dark Horse deve ser a música de abertura mais avassaladora do hardcore contemporâneo.
2 - Fuck Buttons – Tarot Sport

O Fuck Buttons é um duo inglês que faz um som único, unindo o Post Rock, Aphex Twin, o noise e o drone. Seu disco de estréia, Street Horrrsing, foi amplamente aclamado pela crítica por sua musicalidade absolutamente hipnótica e experimental. Particularmente, ainda prefiro Street Horrrsing, mas Tarot Sport é um disco nada menos que sensacional. Aqui, a dupla se afasta um pouco do drone, e investe mais nas melodias e imagens sonoras. É eletrônico, mas não foi feito para as pistas. É musica pra ouvir andando na rua, vendo a cidade passar. Funciona quase que como uma explosão controlada. A sensação de ouvir Fuck Buttons é próxima a um pileque: é ser levado pelos sons, ritmos e temas. A dupla cria sua musica sempre com base na repetição: quase como uma suite jazzistica, onde temos um tema, e depois disso, suas variações. E é na busca por esse ritmo que Andrew Hung e Benjamin John Power mostram sua genialidade. A sonoridade apresentada é quase lisérgica, e a repetição incessante dos ritmos e sons criam um vértice sonoro difícil de escapar. Moderno, original e genial.
1 - The Twilight Sad - Forget the Night Ahead
O The Twilight Sad é da Escócia. E a Escócia é um país pródigo em boas bandas. Em 2007, a banda lançou seu debut Fourteen Autumns & Fifteen Winters, amplamente aclamado pela crítica. A sonoridade da banda une o brit-pop ao Sonic Youth, passando pelo experimetalismo do shoegaze. Tudo isso recheado por letras belíssimas, com temas que variam entre os problemas da infância e da adolescência, aos corações partidos da vida adulta, e recorrentes lembranças e tragédias particulares. A atmosfera é quase sempre escura e sombria, mas nunca fria. As músicas são tristes, mas não de maneira forçada: um coração triste produz musica triste e James Grahan faz questão de transpor suas questões pessoais para as letras e música.
Em 2009, a banda lançou seu segundo álbum: Forget The Night Ahead. E aqui, a banda amplia ainda mais sua musicalidade e seus temas, indo ainda mais perto da cena noise de Nova Iorque, mas ampliando e aprofundando sua temática e sua identidade musical. O disco é mais difícil que o anterior: é mais sujo, e porque não, também mais agressivo. Mas essa agressividade não é uma questão de execução, porque o som do The Twilight Sad é bastante acessível, mas talvez pelo contexto: Grahan escreveu o disco após a morte de um amigo próximo a sua família. E essa atmosfera torna as músicas dolorosamente belas.
Mas é impossível não se deixar levar pelas canções de Grahan com suas letras e seus sentimentos. Diferente da babaquice que se tornou o emo, aqui o que temos é arte. Perdi a conta de quantas vezes ouvi este disco na integra desde seu lançamento. Uma obra de sensibilidade ímpar.