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12/26/2009

Andaime o Podcast da Apes!

Episódio I

Novo programa no ar! Aliás, nosso presente de Natal (atrasado) para todos aqueles que colaboraram, participaram, ouviram, postaram comentários, e principalmente aqueles que nos detestaram no decorrer deste ano. Seu desgosto é o nosso sucesso. Outro abraço especial para as bandas que nos mandaram material, artistas que tem enviado trabalhos para a Revista (demora mas sai, confiem!). Por mais que a ferramenta virtual pareça meio fria, sabemos o quanto é válido e importante que esse pequeno círculo de seguidores e novos amigos cresça mais e mais. A organização do podcast é a mesma do programa piloto. Blocos de comentário com músicas ao fim, para você nao ser obrigado a ouvir música que não goste. Caso queira ouvir apenas as conversas, só colocar o player do início.


Programa gravado em 05/08/2009

Ainda treslocado, ainda quase sem pauta. Internet, Modernidade, Música, TV, Salves, Foda-se´s! Se tem ouvidos fragéis não entre. O programa teve Background de "In The Sentimental Mood" de Duke Ellington e John Coltrane e músicas de:

Psyopus - Yo La Tengo - Swans - Steve Ray Vaughan Les Savy Favy's - Neutral Milk Hotel - Passion - Robert Johnson Super Low Bros - Interpol - Death Side - Rollins Band






12/22/2009

Uma lista particular: os sete melhores discos de 2009 por Thiago Zati (parte 2)

4 - The Flaming Lips - Embryonic



Outra banda norte-americana, agora de Oklahoma. O The Flaming Lips tem estrada e dispensa apresentações. Formado lá em meados dos anos 80, a banda conquistou uma sólida carreira no rock idependente. Zaireeka (de 1997), The Soft Bulletin (de 1999 e Yoshimi Battles the Pink Robots (de 2002) foram aclamados e incessados pela crítica, que colocou o Flaming Lips como uma das bandas mais importantes e interessantes da atualidade. Particularmente, eu apenas “gostava” dos Lips. Vi o show deles por aqui em 2007, achei lindo e gostoso de ver. Mas só. As letras e melodias de Mark Coyne apesar de interessantes, nunca me pegaram de verdade.
Mas com Embryonic foi tudo diferente: o primeiro álbum duplo da banda me cativou logo na primeira impressão. Com a participação de vários convidados especiais (como Karen O do Yeah! Yeah! Yeahs! e o duo MGMT), Embryonic vai muito mais fundo que os outros discos da banda no que se refere a experimentação. Aqui, a banda assume sua postura Space/ Psycodelic Rock dos anos 60 e 70, e produz um disco absolutamente sensacional. Impossível não ficar atordoado com a maestria da execução e da produção. Para ouvir com fone descente, com o som no talo.

3 - Converge - Axe to Fall



A primeira vez que ouvi o Converge foi com o álbum Jane Doe, e sua primeira música, Concubine. Assim que a música começou, lembro de que minha primeira reação foi um “caralho! puta que pariu!”. Assim é o Converge. Para quem não conhece, os caras praticam uma interpretação extremamente brutal de hardcore, com grandes porções de heavy e trash metal, que convencionou-se a chamar de Metalcore. Mas com o Converge tudo é um passo a frente destas denominações: é impressionante como uma banda consegue ser tão brutal e tão técnica ao mesmo tempo.
Axe to Fall é, com certeza, um dos melhores trabalhos da banda. O álbum contou com a colaboração de diversos músicos da atual cena de música extrema dos Estados Unidos, como Steve Von Till do Neurosis, Steve Brodsky do Cave In, Sean Martin do Cage, e muitos outros. Aliás, a própria colaboração entre músicos de diferentes bandas era uma das razões principais do disco, onde a banda, em conjunto com seus convidados, buscaram construir um trabalho e caráter coletivo.
O mais incrível do álbum é sua dinâmica: indo do absoluto caos, para a peso do doom, com incursões em experimentações semi-jazzisticas. Tudo e maneira coesa, com cada nota no seu devido lugar. A recepção da crítica para o disco não fez por menos: Axe to Fall foi o disco do ano pela Decibel Magazine.
Ps. Dark Horse deve ser a música de abertura mais avassaladora do hardcore contemporâneo.

2 - Fuck Buttons – Tarot Sport



O Fuck Buttons é um duo inglês que faz um som único, unindo o Post Rock, Aphex Twin, o noise e o drone. Seu disco de estréia, Street Horrrsing, foi amplamente aclamado pela crítica por sua musicalidade absolutamente hipnótica e experimental. Particularmente, ainda prefiro Street Horrrsing, mas Tarot Sport é um disco nada menos que sensacional. Aqui, a dupla se afasta um pouco do drone, e investe mais nas melodias e imagens sonoras. É eletrônico, mas não foi feito para as pistas. É musica pra ouvir andando na rua, vendo a cidade passar. Funciona quase que como uma explosão controlada. A sensação de ouvir Fuck Buttons é próxima a um pileque: é ser levado pelos sons, ritmos e temas. A dupla cria sua musica sempre com base na repetição: quase como uma suite jazzistica, onde temos um tema, e depois disso, suas variações. E é na busca por esse ritmo que Andrew Hung e Benjamin John Power mostram sua genialidade. A sonoridade apresentada é quase lisérgica, e a repetição incessante dos ritmos e sons criam um vértice sonoro difícil de escapar. Moderno, original e genial.

1 - The Twilight Sad - Forget the Night Ahead



O The Twilight Sad é da Escócia. E a Escócia é um país pródigo em boas bandas. Em 2007, a banda lançou seu debut Fourteen Autumns & Fifteen Winters, amplamente aclamado pela crítica. A sonoridade da banda une o brit-pop ao Sonic Youth, passando pelo experimetalismo do shoegaze. Tudo isso recheado por letras belíssimas, com temas que variam entre os problemas da infância e da adolescência, aos corações partidos da vida adulta, e recorrentes lembranças e tragédias particulares. A atmosfera é quase sempre escura e sombria, mas nunca fria. As músicas são tristes, mas não de maneira forçada: um coração triste produz musica triste e James Grahan faz questão de transpor suas questões pessoais para as letras e música.
Em 2009, a banda lançou seu segundo álbum: Forget The Night Ahead. E aqui, a banda amplia ainda mais sua musicalidade e seus temas, indo ainda mais perto da cena noise de Nova Iorque, mas ampliando e aprofundando sua temática e sua identidade musical. O disco é mais difícil que o anterior: é mais sujo, e porque não, também mais agressivo. Mas essa agressividade não é uma questão de execução, porque o som do The Twilight Sad é bastante acessível, mas talvez pelo contexto: Grahan escreveu o disco após a morte de um amigo próximo a sua família. E essa atmosfera torna as músicas dolorosamente belas.
Mas é impossível não se deixar levar pelas canções de Grahan com suas letras e seus sentimentos. Diferente da babaquice que se tornou o emo, aqui o que temos é arte. Perdi a conta de quantas vezes ouvi este disco na integra desde seu lançamento. Uma obra de sensibilidade ímpar.

10/10/2009

Andaime o Podcast da Apes!

"Andaime - O Podcast da Revista Apes!"

Enquanto o programa oficial é finalizado para estar aqui em breve, editamos alguns trechos de 2 programas piloto que não tivemos coragem de colocar no ar. Pois bem, o tempo passa o quesito vergonha na cara se esvai...

De qualquer forma algumas explicações tem de ser postas. Esses primeiros foram pensados para serem testes ou seja, foram gravados de forma rudimentar e não tínhamos tanto primor com o "linguajar". Portanto, se você tem ouvidos ou humores delicados, recomendamos a NÃO audição do programa, estando você por sua conta e risco.

Outra coisa, tinha-se a idéia de web-radios na mente, onde além das pautas (quando existiam) colocávamos músicas. Como para algumas pessoas é um saco ficar ouvindo música que não gosta enquanto o programa carrega no streaming, optou-se por dividir em 4 blocos, onde as músicas tocam sem parar ao fim, portanto se você não tiver interesse em absorver nosso sublime gosto musical é só pular para o podcast seguinte e se antenar nas bobagens que falamos.
Se quiser os blocos do programa estão disponíveis para baixar aqui

OBS.: Como algumas pessoas não estão conseguindo ouvir o podcast, decidimos deixar os blocos disponíveis para download gratuito. Pedimos desculpas aos amigos, e visitantes.
Divirtam-se.

Programa gravado em 02/08/2009

Neste primeiro programa, rolaram as apresentações, explicações sobre nossas idéias, sobre quem é e o que faz na revista. Falou-se sobre Internet, Sasha Grey, modernices e modernagens. Nova Babilônia, Pós-modernidade, “coisas de designer”. Universidade, da Burgueose ao proletariado militante, futebol de ressaca,"twitter, facebook,poropó-poropó-poropó" mas principalmente “Por que Andaime?” O Background foi de Baby Huey and The Babysitters e de Duke Ellington e John Coltrane, que deixaram o ambiente mais agradável. Além disso músicas de:

Calistoga,Deriva, Desvio ou Deturpação,O Cúmplice,Sleeping People, Arab Strap,Pulling Teeth, Steve Von Till, Emicida, Te Voy a Quebrar, Distro, Iron And Wine, Twilight Sad,Converge,Hot Water Music.

Download por partes
(bloco 1 aqui )
(bloco 2 aqui )
(bloco 3 aqui )
(bloco 4 aqui )

Fiquem atentos e usem as barras de rolagem no player!



Na semana que vem, mais podcast, mais bagaceiragens, ofensas, baixarias!

7/31/2009

Cenas, Sub-Cenas e Contra-Cenas. Para entender "um pouco" a música de subsolo.


Acho que todos os leitores deste blog já perceberam que quase todas as últimas postagens foram relacionadas a música, o que provávelmente será um tema muito mais explorado aqui e que trará novidades para todos. E como eu não quero ser aquele que vai romper com o fluxo da coisa, resolvi também fazer um post sobre música, mas não indicação, nem resenha de nada. Este é um texto no qual eu tentei refletir e entender um pouco o que anda acontecendo no cenário musical independente ou faça-você-mesmo (Punk). Percebam que não coloquei tudo isto no mesmo saco, justamente porque eu acho que há uma diferença entre cada uma dessas esferas da produção musical que hoje se concentra principalmente na rua Augusta (Também conhecida como "Nova Babilônia").

Para vocês entenderem melhor o que se passa aqui, posso dizer-lhes que eu tenho uma banda, outros memebros deste blog-revista-coletivo de macacos, também tem bandas e circulamos muito por shows, bares e lugares da tal rua Augusta. E conversando com pessoas, pesquisando bandas, assistindo e tocando em shows, percebi que a configuração do "underground" vem mudando drásticamente. Primeiro vamos tentar entender esse monstro musical.

O que seria o tal independente?

Não entendam isso como uma verdade estabelecida, é apenas a minha interpretação dos fatos, é como eu enxergo a coisa.
A tal cena independente, me parece apenas um fragmento contemporâneo do tal monstro "underground", que começou a se configurar no ínicio desta década e principalmente por causa da popularização das internet. O independente hoje, é um fenômeno de internet e não tem nada a ver com o termo que era usado na década de noventa para descrever as bandas que giravam em torno do selo Matador.
Esta nova cena independente não gira em torno de um selo, mas sim em torno de uma emissora de televisão, a MTV, e tem uma ideologia muito particular. Com a popularização da internet, a consolidação do plano real que aumentou a capacidade de consumo da classe média, muitos jovens, rockeiros e aspirantes a pop star, começaram a montar bandas e divulgar seus trabalhos na internet. Talvez, no primeiro instante, esse processo era apenas uma modernização das famosas fitinhas demo que eram distribuidas e vendidas de mão em mão em shows, e que ajudavam as bandas a arrumarem shows e até viajar para outros Estados, daquele jeitão Punk mesmo, quase sempre no prejuízo. Mas o que vemos nos últimos anos é uma centena de bandas que utilizam o circuito independente como uma plataforma para o córrego principal da música (mainstream). Até ai nenhuma novidade, mas o engraçado é que a grande maioria não alcança nunca esse mainstream e acabam se ficando entre o underground-punk que toca em botecos sujos e o mainstream-pop que toca em grandes festivais. Isto é a nova cena independente brasileira, o meio do nada.

É claro que esse processo de inclusão total, faz parte da lógica do capital, da indústria cultural (dá-lhe Adornão!), mas como no Brasil tudo meio que acontece brasileiramente, essa inclusão nunca é total e sabe porque? Simplesmente porque as guitarrinhas bregas e oitavas, ou visual desleixado-chic anos sessenta ou pseudo-folk autista nunca serão páreos para o mexe a cadeira do axé, funk carioca, etc. Como os ouvidos não estão mais acostumados a ouvir e somente o corpo está acostumado a dançar, nem toda a pose pankake das tais bandas nova MTV, conseguem ter a atenção total da massa, exceto os adolescentes perdidos, sem a menor referência musical, que se juntam em bandos de roupas coloridas e cortes de cabelos bizarros, mais preocupados com a estética pasteurizada vendida na galeria do rock, do que com a música em si. É por isso que os NX zero, um, dois, três...Conseguem ser diferentes do resto dessas bandas, e conseguem ser geniais em toda sua ruindade, pois imitam o que é grande lá na terra do Tio Sam de uma forma tão estúpida e plastificada que qualquer bom ouvidor de Sunny Day Real Estate, ficaria envergonhado. Bye Bye Emo!

Memórias do Subsolo!

Agora tratemos do subsolo, do Punk e suas mil variantes.
Enquanto do lado de lá do córrego, temos o meio termo de bandas que não sobem nem descem. Do lado de cá temos dois tipos de banda, as que permanecem no underground-punk por falta de opção, e as que permanecem por convicção.

As primeiras, são criadoras de uma lógica própria, e acabam por criar uma cena própria. Vários são os estilos, mas a idéia é uma só, manter-se no mesmo lugar pois é aqui que brilhamos. Não tem nada a ver com contra-posição a lógica de mercado, ou qualquer coisa relacionada a postura política, é simplesmente comodismo. É o medo de perder o posto de estrela do esgoto. As cenas se fecham em seus estilos, a experimentção acaba, a fórmula repetitiva fordista usada no tal mainstream também se repete, e para que mexer em time que está ganhando, não é mesmo? O ponto positivo é que muitas vezes as propostas musicais são honestas, mesmo não sendo nada de surpreendente.

As segundas, as que permenecem nisso por convicção, geralmente fazem o oposto do que as cenas e sub-cenas fazem. Elas funcionam como contra-cenas, deslocadas, não identifícaveis, perdidas na babilônia. Juntam-se em pequenos grupos de afinidade, mas estão sempre abertas a mudanças e trocas. Estão nessa por convicção, e principalmente pela música.
A imprensa especializada e estupidificada, costuma dizer que nada de interessante acontece no cenário musical brasileiro, e quando algo interessante aparece, sempre fazem referência ao tal independente, e toda a máquina mercantil que está por trás disso, selos, festivais no nordeste, grandes veículos de comunicação, etc. Mas a real é que eles são limpinhos demais para chegar ao fundo do cenário musical e os ouvidos pouco acostumados a ouvir, fazem coro com as mentes pouco costumadas a pensar e pesquisar.

Deste modo, temos uma criação de massa, de uma ideologia de cena independente, que na verdade não passa de uma reprodução torta de um mainstream ruim, mas que consegue pelo menos alcançar seus objetivos, massificação e enriquecimento. E o underground? a verdadeira contra-cena independente? o faça-você-mesmo? Esse sempre vai continuar existindo, enquanto garotos continuarem assistindo documentários como "Another State of Mind", "We Jam Econo" e "American Hardcore", e sentirem vontade de montar uma banda, mandar um foda-se para a estrutura e correr o máximo de lugares possíveis, só pelo prazer de fazer barulho.

4/15/2009

People Are Strange

Música do The Doors, com aguadas muito bonitas de Violenn Simon.



-TC-