Christian Poveda, fotógrafo e documentarista, correu o mundo registrando a imagem e a informação, para agências de notícias. Especializou-se na América Latina, esteve em Cuba, Argentina, El Salvador, onde cobriu a guerra civil. Fez matérias sobre o Sendero Luminoso no Peru, e Ferdinand Marcos nas Filipinas. Esteve também no Irã e no Iraque. Porém, antes de tudo foi um humanista, comprometido com o que acreditava, com a notícia, com a denúncia.
Realizou 16 documentários á partir dos anos 80. Foi um realizador independente, dirigindo, filmando e lançando o próprio material. O último deles, é o que dá nome a esse post. "La Vida Loca" é um longa de 90 minutos que narra as vivências brutais, e rivalidades das gangues de rua, Mara 18 e Mara Salvatrucha também em El Salvador. Ambas tem estreita ligação com células do crime organizado pelo mundo. Conta-se que durante as filmagens ele presenciou 7 homicídios, sendo 3 seus entrevistados.
Semana passada, o diretor foi encontrado morto em seu carro. O caso gerou comoção e manifestações de apoio. Acredita-se que o assassinato tenha sido motivado por vingança uma vez que alguns Mara 18 foram identificados e presos depois da exibição do filme. A parte de tudo isso, fica a mensagem, a denúncia, e o papel constetório de quem não permite que o status quo, seja ele em posse do poder paralelo ou não, domine.
Impossível não lembrar de Robert Capa ou de nosso Tim Lopes. Sua morte nos entristece. Por outro lado, ficam as lições e inspiração para todos os documentaristas independentes que fazem da sua criatividade, a crítica do mundo imediato.

Relatar o coitidiano, capturar imagens do dia a dia. Existem limites para o registro fotográfico na área jornalística? Como numa cidade em uma Guerra Particular (para usar o termo de João Moreira Salles noutro documentário) fica a ética, o registro de dor e o compromisso de se noticiar. Quem é a pessoa, e o que sente a cada abertura de diafragma? Essas são algumas das questões abordadas por "Abaixando a Máquina - Ética e Dor no Fotojornalismo Carioca" de Guilermo Planel e Renata de Paula. Mesmo que o objetivo não seja criar um "tratado ético", o filme passeia pelas sensações, sentimentos, memórias e reflexões de diversos profissionais que atuam na cidade do Rio de Janeiro. Além deles o filme dá voz, a líderes comunitários, moradores, mostrando que os profissionais dia a dia caminham entre a denúncia e o espetáculo da miséria.