9/25/2009

Torrente



Uma xícara de café e um cigarro. Os pensamentos ecoam pelas paredes sem quadros. Ela bate a cinza no cinzeiro que está em cima do criado mudo. No espelho quebrado, vê o gesto de seu braço: a ponta brilhante do cigarro faz um arco no ar.

“Sim, vagalumes!”.

Sorriu para si um riso seco. Ela pára, olha para o teto e respira: ouve os silvos do ar enchendo os pulmões. “Estou ficando doente”.
Uma tragada na bituca, um gole no café frio. Mais uma baforada lenta. O quarto se enche de fumaça. “A janela está fechada”. Todas estão. Suavemente, Ana põe a xícara de café ao lado do cinzeiro. Pega um copo d'água e leva a boca. Molha os lábios, e depois, um gole generoso. O calor é insuportável. Uma gota de suor que lhe escorreu da testa lhe fica presa no canto da boca. Sente o gosto amargo-salgado e cospe no chão sujo do quarto. A televisão está ligada e ela baixa a cabeça em direção a tela. “Qual é o nome deste filme mesmo? Ah sim....”. A sirene da ambulância ecoa na noite sem estrelas: “Maldita insônia”, pensou, apagando o cigarro na madeira nua.
Espremida no canto da cama de casal, só um pequeno espaço lhe resta: perna pede para o chão. O homem grande que está deitado ali não lhe deixa muita alternativa. Ela se espreme, respira fundo e fecha os olhos. A cama se mexe. O copo cai no chão de taco escuro mas não quebra.
Num lampejo, Ana lembra da sua meninice, e da vez que fugiu de casa. “Dez ou doze dias?”, perguntou a si mesmo. Dez ou doze; não lembrava. Mas importava? O que lhe veio na memória foi o doce gosto do perigo. Aos onze anos, conheceu Marco na escola. Brincavam juntos e de maneira pouco inocente, deram ali o primeiro beijo. Um dia, Marco lhe propôs uma pequena aventura. Juntos, seguiram a linha férrea que cortava o bairro. Passaram por construções, vilas e estações. Atravessaram a pequena ponte de concreto que saltava o rio. Ana viu um mundo novo, diferente. Uma semana depois voltaram: a mãe chorava no quarto e o pai esperava sentado na porta da casa. Como sempre, ele não lhe disse uma palavra – aliás, Ana contava nos dedos às vezes que havia conversado com o pai. Do episódio da fuga, até hoje lembra da expressão daquele rosto, da cor amarela da cadeira e do grito da mãe quando ouviu sua voz.
Já um pouco mais velha, foi viajar. Sem dinheiro. Escorrendo suor entre as pernas e bebida lhe pingando dos lábios rosados. Voltou só quando o pai morreu. Chorou, mas só naquele mesmo dia. Por sua causa, amava o desassossego. Alugou um apartamento na cidade. Vivia assim, como que levando: às vezes tinha companhia, outras não.
A garrafa de pinga em cima da mesa, o café, o cigarro.
Sem saber porque, naquela noite Ana, lembrou daquele dia. Os ruídos da noite a incomodavam. desligou a TV. Puxou o lençol para junto do corpo. Virou de lado. Tapou os ouvidos com as mãos.

“A campainha tocou?” se perguntou em silêncio.

Estremeceu da cabeça aos pés. Abriu os olhos e as sensações lhe tomavam todo o corpo. No quarto escuro, as imagens se formavam na fumaça que pairava no ar. Podia ver como se fosse hoje. Como se vivesse novamente aquele momento. Marco estava na porta do apartamento. “Eu estava de ressaca”. Nas mãos do homem, duas malas e um envelope. Ana não o via a uns bons anos, mas ainda o reconheceu. Abriu a porta. Apenas o olhou nos olhos. Todos os homens do mundo desapareceram. Havia apenas Ana, a porta, e Marco. Ana balbuciou algumas palavras.
Mas o homem caiu de joelhos e chorou. Apenas levantou as mãos com o envelope, como uma oferenda. Marco lhe agarrou as pernas. Ana abriu a carta. Um exame. Ele corre os olhos pelas palavras impronunciáveis. Chegando ao final, entendeu. Ele estava condenado. Não ia mais andar. Doença degenerativa. Batata. Ana não sabia o que fazer. Marco entrou sentou no sofá e tropeçava na ordem das palavras. Tremia como uma criança perdida. Ana não entendeu. Num estalido, olhou as malas. Ficou pálida. “Ele quer morar aqui” pensou.

“Ele mora aqui a 18 meses, 4 semanas e 2 dias”, refez as contas de cabeça.

Ana levantou-se. Seu coração era esmagado com a força. Seu estômago doía. Foi tomar um banho, não agüentava mais. Abriu o chuveiro e ascendeu outro cigarro. O ar quente enfumaçou o espelho. Via apenas a silhueta do seu reflexo. Entrou na banheira com a água. Apagou a luz e pegou a bucha. Se esfregava com força. De sair sangue. A água tornou-se de um rosado rubro. Ofegante e sozinha. Uma pausa. Ouvia apenas a disritimia sincopada de sua própria respiração.

“Acabou a água”.

Fechou os olhos e adormeceu.
Era de madrugada ainda. Ana saiu molhada do banho. Nua, caminhou até a cama. Viu o corpo imóvel de Marco. Ele dormia profundamente. “Dopado de remédio”, pensou. Ana segurou a mão grande e fria. Com um joelho sobre a cama, mas ainda de pé, fez com que aquela mão percorresse todo o seu corpo. Deslizou-a por entre os seios. Acariciou os mamilos. Desceu até a boceta.
Ana gemeu alto e desmaiou - misto de prazer e cansaço.

(...)

O despertador apita. 7:00 da manhã. Ela se levanta e vai preparar um café. Não há uma noite que ela não pense a respeito. Ana vai até a porta do quarto. O corpo imóvel de Marco repousa por entre os lençóis azuis encharcados de suor. De repente, uma virada de cabeça, ele olha para ela, com a cabeça, um aceno. Ele se vira sem falar nada.

“Até quando?” - ela pergunta baixinho, enquanto lava a louça.

Um suspiro surdo. Ela baixa a fronte. Olha no relógio e sorri.

Foto por Thiago Zati

9/21/2009

Mais reflexões acerca do manifesto da 23 de maio.


Primeiramente gostaria de ressaltar que o blog da Revista Apes, assim como a própria revista digital é produzido por um coletivo de pessoas, com opiniões muitas vezes divergentes e que a partir das discussões e reflexões tentamos alcançar a espinha dorsal das questões abordadas, não para produzir consenso, pois afinal de contas sociedade é conflito, mas sim para produzir um dissenso crítico.


Eu não pretendia escrever a respeito das ações que ocorreram na 23 de maio no último dia 13 de setembro, mas tendo em vista a polêmica gerada em torno do post do meu amigo e co-produtor deste blog T. Cutovoi, eu resolvi postar uma breve reflexão acerca dos acontecimentos, para mostrar exatamente a pluralidade de idéias dentro deste coletivo símio.


Procuro pensar a arte sempre numa perspectiva político-social, até porque não tenho formação técnica em artes, pois minha formação é em sociologia, deste modo, a minha avaliação não tem tanta ênfase na discussão estética proposta pelo meu colega T. Cutovoi, apesar de concordar com ele neste ponto.


Primeiramente é preciso tentar compreender o que é hoje a tal street art e qual a sua relevância político-social, quais as forças que estão em jogo neste meio? A street art como conhecemos hoje, enfatizando principalmente o grafite e seu irmão maldito a pixação, tem o seu embrião nas manifestações políticas dos anos 60 (pixações) e a partir daí houve uma revolução através de Basquiat e outros artistas, para uma arte mais conceitual e técnica (grafite). Nos anos 80 este tipo de manifestação estava diretamente relacionada com as culturas que começavam a emergir nas periferias, principalmente dos EUA, e tinham uma relação direta com a contestação em relação à apropriação do espaço público, além é claro da auto-promoção dos grafiteiros e pixadores, até então marginalizados. Bom, podemos concluir que a street art, antes de qualquer coisa, é uma manifestação política, mas hoje encontramos esta manifestação totalmente deturpada na maioria das vezes. No mundo do capital, tudo se transforma em mercadoria e toda forma de contestação acaba mais cedo ou mais tarde sendo enlatada e vendida para nós em caixinhas coloridas com o rótulo de “última tendência” dentro das vanguardas culturais. A street art hoje é isso. É a última tendência. É o que há de mais descolado e pseudo-subversivo. Talvez a exceção seja a pixação, por ser algo feio e sujo, que realmente se contrapõe à lógica de mercado, pois não tem valor de troca. Mesmo inconscientemente, a pixação contínua sendo a pedra no sapato do tal cinza da cidade.



Esse ativismo todo que cerca o manifesto da 23 de maio, como a maioria dos ativismos contemporâneos são apenas fetiches da ação, pois pensar radicalmente aquilo que se faz se torna algo secundário. Dizer que as ações de street art visam levar a arte para quem não tem acesso a ela, só demonstra a lógica vanguardista e conseqüentemente hierárquica dos grupos envolvidos, ou seja, o discurso não passa por uma reflexão crítica e resvala sempre no senso comum de vanguarda (iluminar as massas). Nem ênfase técnica, nem disposição para fazer, fazem da arte algo realmente contestador. E na minha opinião, arte se trata disso: contestação. A inclusão, o chamado à participação em tudo a todo o momento, pode ser tão perigoso quanto o apelo da publicidade ao desejo. O manifesto da 23 de maio usa exatamente esta lógica de inclusão, onde todos (os grafiteiros) em nome de um só ideal se mobilizam de forma estéril para contestar o tal “cinza da cidade”. Vemos ai toda a reprodução dos modelos mais não-criativos de ação, vanguardismo e centralização. Os street artists, parecem não conseguir pensar fora deste modelo e é ai que se encontra o problema, pois se a arte de rua que sempre teve como principal característica a inovação, a descentralização baseada na liberdade de iniciativa dos artistas e principalmente a interação com os transeuntes numa perspectiva de contestação e reivindicação do espaço público, começa a reivindicar o colorido na cidade de forma coletiva e muitas vezes com coloridos bem ruins, é porque os artistas precisam voltar a refletir um pouco mais em suas ações. Ou seja, o problema não é o manifesto em si, mas sim a forma como ele foi idealizado, suas reivindicações, o conteúdo político por trás dele. A street art além de bela como reivindica meu amigo T.C., precisa tornar-se perigosa para voltar a ser atraente de verdade, e não apenas mais um hype gerador de lucros para uma meia dúzia de calhordas.


Imagem: Stencil do artista Banksy e Pixações na Bienal de São Paulo de 2009.

Reformismo ismo ismo! - Crítica ao Dia Mundial Sem Carro


A embalagem é bem bonita e elegante. Um laço vermelho bem grande. Tudo muito legal, afinal de contas, são todas bandeiras incontestáveis: a ecologia, o transporte público, a educação, a consciência. Quem, me diga, quem pode levantar o dedo e não apontar estas como questões absolutamente sensíveis e necessárias para a sociedade atual? Quem??

Desde 1998, quando 35 cidades francesas adotaram o Car Free Day, o dia 22 de setembro é reconhecido como o Dia Mundial Sem Carro. No Brasil, a patota começou no ano de 2001, e hoje mais de 100 cidades colocam o evento em suas agendas oficiais, e quase 300 ONGs trabalham para a promoção da data. No site oficial do evento (http://www.worldcarfree.net/wcfd/), está tudo lá: o por que do dia, o caráter educacional da iniciativa, a busca por uma crítica constante, a importância do transporte público, a retórica ambiental sobre o aquecimento global e tal. Muito bem, muito bem. Tudo muito bem amarrado, certinho, tin tin, por tin tin.

Mas é sempre aí que algo não encaixa. E é aqui que uma face cada vez mais triste do mundo se avoluma cada vez mais. A impossibilidade prática e teórica que temos de colocar os reais pingos nos is, de vermos as questões para além do bem e do mal. Nossa crítica, é quase sempre, superficial, e, porque não, (SIC!!) marxisticamente falando, reacionárias.

O Dia Mundial sem Carro pode ser entendido pelo conceito de “Pacificação”, ou seja, quando criam-se condições dentro da sociedade para que um tema que teria a possibilidade de explicitar a crise social em que vivemos são recondicionadas por noções que apenas aplacam estas tensões. este movimento que inundou os debates sindicais desde o século XIX na Europa e a partir dos anos de 1970 no Brasil.

Em sua quase totalidade, todas as ações críticas possuem aspectos muito “conservadores” em sua abordagem. “Conservadores”, porque a crítica nunca perpassa o capital. É impossível conviver em um mundo ambientalmente sustentável, sendo que nossa maneira de compreender e trabalhar o mundo é inexoravelmente destruidora e apropriativa.

Mas o pior lado da moeda não são “as malignas forças burguesas...” como gostam de dizer nossos amigos dos diversos movimentos Marxistas e Comunistas, cada vez mais ralos e acéfalos. O mais impressionante é o fato de uma parcela considerável de políticos e pessoas públicas colocaram o Dia Mundial Sem Carro como algo estratosféricamente inovador em sua prática, revolucionário em sua abordagem e necessário para o nosso estilo de vida. E aqui, movimentos sociais urbanos como o Critical Mass, ou seu filho tupi, o Bicicletada, acabam por se incluir em uma onda muito maior, onde uma série de ações articuladas e de caráter assumidamente reformistas capturam a “vibe” do momento. A incrível capacidade de adaptação do Estado capitalista a todas estas formas de manifestações coletivas é incrível, e jamais pode ser subestimada. Ao olhar para o Dia Mundial Sem Carro e ver Walter Feldman se perguntar via twitter se vai “pedalando ou de metro” para o trabalho amanhã, uma certeza eu já tenho: com esse grupo, eu não estou. Amanhã, vou a escola de carro. Só de pirraça.

Stanza & The Emergent City

Seguindo o debate crítico proposto por Thiago Cutovoi aqui na semana passada, creio ser importante pensar sobre rumos e acontecimentos em todos as esferas que os Apes da equipe se atrevem a meter o bedelho. Apresento uma adaptação minha de um texto de Luciana Gonçales, médica e estudante de Artes. As opiniões expressas no blog nem sempre arrebanham a opinião do coletivo, e sinceramente não damos a mínima com as discordâncias (inclusive entre nós mesmos). Com isso deixo a pergunta: Arte pode ter a internet como plataforma de criação?


“tento criar algumas obras de arte visual informatizadas pela análise crítica dos espaços da cidade.”

Stanza desenvolve seu trabalho com base em instrumentais tecnológicos. Muitas de suas obras são interativas sendo montadas como espaços de rede, instalações e performances. Ele também faz uso de plataforma virtual on-line, exibindo parte do que produz na Internet. Alguns de trabalhos foram apresentados no Victoria Albert Museum, na Galeria Tate Britain, no Mundo Urbano de Madrid, no Pavilhão New Forest Artsway, no Museu Haifa de Israel e no Festival de Exposições Novosibirsk. Também ganhou inúmeros prêmios desde meados dos anos 2000.

Seus trabalhos se orientam pelo rearranjo de bases de dados de forma interativa, onde as peças convidam o espectador a desenvolver uma ação direta com a obra. Muitas delas se estabelecem sobre arquivos de determinados mapas de dados, e desenvolvem interessantes “pinturas” virtuais, amparadas por interfaces de som, fundos multi-facetados que fragmentam-se, remodelando-se com o contato com o espectador. Esses dados de segurança, de tráfego e ambientais são alguns exemplos, para conceitos que o fazem pensar as relações entre os homens e dados de informação e a relação entre espaço virtual e real. Parte deles apresentam-se na Internet, onde as saídas das interfaces e visualizações podem ser realizadas em tempo real. Dessa forma, sua arte estabelece diálogo e entrecruza a arte, a ciência e a tecnologia de forma instigante.

Stanza explica que seu trabalho se desdobra em três vertentes. A primeira é a coleta, a segunda é a visualização e, em seguida a exibição. Onde segundo o próprio: “tento explorar a dinâmica de mudança da vida da cidade como uma fonte de criatividade e criação artística significativas metáforas. Uso de novas tecnologias e integro às obras da nova mídia para domínio público como parte dessa investigação em curso sobre a visualização do espaço da cidade”.

A referida investigação é o projeto “The Emergent City”, com o qual tornou-se bolsista do AHRC (The Arts and Humanities Research Council). A cidade emerge através de sons, movimentos humanos, poluição, vibrações e barulhos quotidianos, que são captados através de sensores, gravadores e outras tecnologias para serem reformulados e readaptados em forma metafórica pelo autor, que tenta provocar reflexões sobre a vida no espaço urbano.

House Runtime é uma que sintetiza bem as propostas de Stanza. Á partir do momento que a página se abre, somos apresentados a algumas formas circulares, que vão tomando características “celulares”, parecem plasmar um mar branco enquanto aos poucos uma trilha de sons quotidianos evoca um estourar, um pipocar dessa estranha forma de vida. As cores vão surgindo, ao mesmo tempo que um estranho mapa vai se delineado na tela. Números de coordenadas de sonho (que deduzo não serem aleatórios) vão surgindo. Na página algumas pequenas ilhas vão brotando e ao clicar do mouse estabelece-se a interação onde tanto imagens como trilha sonora são se transformando, em uma dança sem fim evocando o incontrolável ritmo da cidade. A obra ainda lista no canto da página, algumas palavras que podem ser clicadas e estabelecem relação de efeito com o que ocorre na imagem, a escolha das palavras (Simplicity, Complexity, Audacity, Elasticity, Toxicity, Chronicity, Tenacity, House e Electricity)exprimem claramente o caráter de urbanidade e um tipo de crítica metafórica deixada para quem se dispõe a interagir.
O web-site do autor é repleto de suas criações que nos apresentam as mais variadas e sofisticadas criações artísticas amparadas pelo suporte virtual. A impressão que fica é de que, por mais abstrato que possa parecer a Internet é um campo amplo e frutífero para o desenvolvimento de obras. Seja como meio, seja como ferramental. Apresentam-se também desafios uma vez que é necessário decodificar certos caminhos técnicos para a execução de idéias, por outro lado desafio é uma palavra extremamente prazerosa de se ouvir quando aliada à possibilidades ilimitadas.

9/18/2009

Ler e escrever a língua de Camões

Incrível, o índice de analfabetismo no Brasil recuou 0,1% entre 2007 e 2008, isso segundo o tal do IBGE, mas eu só posso me considerar analfabeto se não souber ler ou escreve um bilhete simples, senão sou de outra categoria, analfabeto funcional, mas peraí, nesse caso eu tenho que ter mais de 15 anos e ter freqüentado apenas quatro anos de estudos, coisa estranha, Dona Laurinda Lopes, costureira, falecida aos cinqüenta e um anos de idade, nascida no Jardim São Bernardo, zona sul da cidade de São Paulo, estudou até a quarta série do ensino fundamental e sabia ler e escrever muito bem, diga-se de passagem, no entanto, na oitava série há alunos que não sabem ler e compreender um texto simples, oquêi, qualquer índice é relativo, não podem ser lidos ao pé da irônica letra, mas quando, hoje, abri um jornaleco diário e li que o Brasil tem 14,2 milhões de analfabetos, número menor do que no último senso, estampou-se em meu rosto a pergunta: Será que as Laurindas Lopes são exceções ou os alunos das oitavas séries estão lendo Gil Vicente ou José de Alencar nas suas horas ociosas? Acredito que nem um nem outro, afinal, a língua portuguesa, ou a língua de Camões, é muito difícil, como diria Dona Benedita Camargo Lopes aos oitenta e oito anos, ao justificar sua escrita em um bilhete de recados. Calma lá, saber a escrita de uma língua, ou não a saber, não tem nada a ver com saber ou não essa língua, mas infelizmente estas estatísticas levam a maioria das pessoas a pensar dessa forma, afinal, carregamos aquele trauma causado pelas aulas de gramática, onde decorar a taxonomia gramatical é até hoje sinônimo de saber português (vide qualquer gramática normativa), mas esse já é outro problema. Voltemos então a Dona Benedita, ela não cursou muitos anos de ensino, talvez dois ou três, mal se lembra, escreve pouco e somente em determinados gêneros, como o tal bilhete de recados, sua filha, a já citada Laurinda Lopes, escrevia em diversos gêneros e em muitos casos, melhor do que muitos alunos da oitava série, mas cursou praticamente o mesmo período escolar que sua mãe, quem poderíamos, então, classificar como analfabeto, analfabeto funcional ou alfabetizado, neste caso? Talvez o IBGE saiba responder.

9/16/2009

Nosso Sonho, por ABC



Acabei, finalmente. Cheguei a página 226 de O Sonho dos Heróis de Adolfo Bioy Casares, escritor argentino e contemporâneo, um dos grandes do nosso tempo.

Fui ler o Bioy - não escondo - por influência de Borges. Borges é argentino como Bioy, e os dois dividiram um pouco mais que amizade nos anos que passaram juntos. Dividiram a intimidade carnal de algumas páginas escritas, o que representa um nível de intimidade visceral entre ambos.

Bioy, assim como Borges, se aproximou do fantástico, mas diferente deste, Bioy torna seu fantástico factivél, quase “realista”. Diferente do inescapável escafandro de Borges e seu multifacetado pluriverso, Bioy é econômico, tornando sua visão onírica de um mundo em permanente desconstrução uma paisagem idilica. Se Borges é violência, Bioy é uma serene contemplação. Mas, apesar da amizade, Borges aprontou com o amigo Bioy: morreu antes, em 1986, criando uma sombra inescapável sobre Bioy, que morreu em 1999.

Borges disse sobre O Sonho dos Heróis: “nós, os argentinos, só conseguimos conceber uma única história, a amarga e lúcida versão que Adolfo Bioy Casares idealizou corresponde com a trágica plenitude a estes anos que correm”. Borges nacionalizou Bioy e seu sonho: o valor do livro residiria no seu contexto e em seu papel como símbolo: e estes, com alta significância para a Argentina e para sua história durante o século XX.

Mas, Bioy trancendeu a Argentina, e para isso, bastou colocar seu pequeno romance em catarse.

Em O Sonho dos Heróis acompanhamos alguns poucos anos de Emilio Gauna: jovem trabalhador de uma oficina que ganha uma pequena bolada apostando em cavalos, isso em pleno carnaval de 1927. Com esta grana, resolve se divertir com os amigos. Mas esta noite se perde nas memórias do protagonista em meio aos excessos e aos devaneios. Gauna assim passa todo o livro, buscando recuperar as memórias dessa noite. Gauna se casa, larga os amigos de farra, os reencontra, conhece pessoas. Mas a noite de 27 é inescapável. Ela é perene. Ele é intermitente.


E aqui é que forma e conteúdo se fundem. O que é este sonho? Simbolicamente, qual seu papel? O livro funciona como um devaneio. Os capítulos se iniciam vigorosos, detalhados, firmes; mas logo descabam para a incerteza para tornar-se apenas lampejos de uma narrativa. E aqui a metafora da forma aponta o significado do texto, onde esta busca implacável de uma noite esquecída é também nossa busca inexplicável por uma felicidade perdida. Nosso ideal, que fora potencialmente vivido em algum momento, mas que não resiste ao teste da verdade. Ou ainda, da razão.

Assim como qualquer pessoa, o narrador não pode trabalhar com detalhes e com o ordenamento. Num sonho, como num pileque.

Ao mergulhar profundo nas entranhas da cidade em busca de sí mesmo, Gauna se defronta com a terrível Buenos Aires, que é tão terrível como qualquer cidade grande, com seus personagens, personalidades e seus sons.

Bioy nos dá uma aula sobre a natureza humana e sobre nossa incessante busca pelo prazer e pelo deleite. Ao mesmo tempo, nos dá uma aula sobre a escrita em seu aspecto formal - lições que nossos pretensos escritores dos botequins augustianos deveriam aprender, ao invés de copiarem descaradamente o genial Bukowski.

Mas é sempre isso. Busca. E sonho. E no fim, nossa inerente tragédia.

Patrulha do Macaco Especial - Academias de Letras

Sabe-se que a cultura brasileira tem muita influência da França. Minha área de formação, a História é tributária direta de um modelo francês do pensamento. Sem muita análise, num vapt-vupt rápido, posso lembrar de Le Goff, Marc Bloch, Braudel. Estendendo-se para outras áreas temos o grande Levy-Strauss,e por aí vai. Aliás muitos destes ajudaram a compor o quadro nascente da Universidade de São Paulo na década de 30, em um projeto que nasce da idéia de “avançar” em relação ao resto do Brasil “em atraso”, uma resposta doída (e meio pirracenta) para a derrota do levante paulista contra Vargas. Indo ao que interessa, em influência direta ou não os franceses nos legaram também modelos de instituições. Institutos, fundações, organizações foram criadas á moda francesa.

Atenho-me nessas linhas ao foco sobre as academias de Letras. Sendo a principal delas a Academia Brasileira de Letras. Essa célebre casa, se propõe por princípios, guardiã das letras e língua nacionais. Fundada ainda no século XIX por ilustres, dentre eles o meu favorito Machado de Assis. A coisa toda tem seus rococós e firulagens. Espadas, fardões e chá das cinco. Somos brasileiros, adoramos essas coisas: títulos, cerimônias, pompas, circunstancias. Quarenta cadeiras, com seus respectivos “imortais” ali representando o supra sumo cultural, nessa terra onde cada vez menos se lê. Fica na instância do ritual. Naquela coisa miúda de uma pseudo-elite que quer sentir-se “Europa” no meio dessa selva.

Á parte do meu cinismo e amargor para com instituições pomposas, o Brasil sempre precisou da idéia de modernidade. Cidades como São Paulo foram erguidas, e impulsionadas ao crescimento e a busca por uma tal “civilidade”, por conta disso. Não importando se velho e novo, se avanço e atraso, combinassem as equações numa realidade mista e cheia de significados. E dá-lhe belle-epoque nessas selvas tropicais de meu deus.

mas afinal que porra é essa?

O modelo lançado pela ABL espalhou-se pelo país. Muitos estados e cidades criaram suas versões. E nisso, oligarcas, quatrocentões, patronos e outros pilantras sempre gostaram de titulação, bajulação e reconhecimento. Não podemos esquecer também de outra palavrinha importante aqui: “Mérito”. Este que não tinha importância alguma se construído e sem base teórica alguma. Tudo torna-se uma orgia e onanismo vadio, sem eira nem beira. Uma pagelança frívola e sem significado. Vide o nosso “coronelato”, donos de inúmeras terras, da lei do cão, que nesses sertões adentro, nunca foram sequer militares. Se quiser dê uma volta pelo cemitério da Consolação e veja a ostentação post mortem em monumentos de pedra. Muitas vezes é necessário criar um reconhecimento para camuflar incompetências ou congelar imagens moldando uma realidade que nunca existiu. Dando celebridade num joguinho político mequetrefe.

Nas atualizações recentes em seus quadros a AAL (Academia Alagoana de Letras) empossou em uma de suas cadeiras o ex presidente, atual senador, e sempre caudilho Fernando Collor. Bom, nada me admira em um país sem memória. Nada me admira na terra do conchavo, até mesmo que alguém que nunca escreveu um livro receba tamanha “honraria”. Pois afinal o pai de nosso prefeito Pedro Kassab, também foi empossado na nossa versão paulista da Academia, não escrevendo nada senão receituários. Mas falar de morto e ainda mais imortal é mancada então, prefiro dar um outro foco ao assunto.
O buraco é mais embaixo. Não é a caracterização de instituições falidas, que se voltam a uma politicagem miúda para formarem um clube caquético de chá das cinco. Passou despercebido pela imprensa, mas são essas pequenas coisas que “consolidam” a imagem. É isso que ajuda marotamente a se dar base a construção de figuras “idôneas”. Por mais que o molde dessas academias seja falido e que seja um tiro no próprio pé. Acho triste. Não que me importe com o chá dos mortos vivos que acontece nessas terras. Mas por imaginar que vemos isso diante de nossos olhos e não conseguimos perceber e identificar os sinais. Nessas horas acho que não seria legal conhecer Machado de Assis. Gostaria apenas de dar um tapinha nas costas de Mário Quintana e dizer “não perdeu nada camarada”.

9/14/2009

O Nulo Manifesto da 23 de Maio


No último domingo, 13 de setembro, um grupo de 150 grafiteiros tomou parte da Avenida 23 de Maio e cobriu cerca de um quilômetro dos muros de ambos os lados da via. Segundo o email enviado aos participantes do "Manifesto", aquela ação era para todos aqueles que "estão cansados de ver sonhos e atitude(!?) sendo diariamente cobertos de cinza". Segundo a reportagem da Folha Online, 9 integrantes do grupo foram detidos e liberados posteriormente. A notícia soa como mais do mesmo, já que manifestações pela liberdade artística desses grupos tornaram-se freqüentes, sempre com alguma ideologia rasa e de aplicabilidade nula.

A Street Art brasileira, em especial a cena paulistana, notadamente a maior no país, tem grande valor no principal aspecto em que se deve ser observada uma obra de arte. Há um desenvolvimento estético grandioso, ao se atingir resultados gráficos belíssimos num suporte pouco convencional como as ruas da cidade. Os artistas que atingem esse patamar, que saem da mediocridade, logo são percebidos, adotados e divulgados por novas galerias de street art ou Marchands espertinhos, tentando vendê-los à galerias euro-americanas como representantes da vida-lôca (sic) das periferias subdesenvolvidas. Os rapazes, em geral de origem humilde, vêem a oportunidade de começar a ganhar dinheiro em algo com que sempre sonharam: desenhar. Acertadamente, começam a publicar seus trabalhos pelo mundo, seja através dessas galerias, seja através de marchands, seja por sua busca e esforço pessoal.

Dentro da história da arte, (quase) sempre tiveram destaque àqueles que buscaram desenvolvimento técnico e conceitual. Sempre com base no desenho, a pintura percorreu estilos e meios extremamente opostos, criando novas possibilidades a partir da REAL intenção de se atingir um novo patamar na arte, sugerindo assim a libertação de certa escola ou estilo anterior. E assim, gradativamente, desenvolvem-se os grandes pintores e ilustradores da história. Aos poucos, com muito trabalho e vontade de fazer bem feito. É também o que têm feito conhecidos Street Artists brasileiros, como OsGemeos, Nunca, Titi Freak e seu irmão Whip, entre tantos outros.

Segundo a reportagem, um dos manifestantes informou que a manifestação tinha o intuito de "levar arte à população, que não costuma ir a galerias". A frase mostra a fraqueza de um recurso ideológico usado pra sustentar a pretensiosa ação: estes, enquanto tribo urbana, pretendem usar a rua, suporte público, para que as pessoas vejam o que eles mesmos consideram como arte. Não há benevolência com aqueles que não podem ir ao MASP por grana ou distância. É divulgação do próprio trabalho (de caráter estético EXTREMAMENTE questionável) de maneira gratuita. Na mesma reportagem, o grafiteiro Pato toca no exato ponto em que a contemporaneidade se omite para abraçar a todos: "Há uma grande poluição com trabalhos mal feitos por aí".



Obviamente, a enorme maioria dos grafites espalhados por São Paulo são ruins. As pessoas pegam latas e saem grafitando. Não existe estudo, não se busca algo. O que aconteceu, na verdade, foi que a Street Art deixou de crescer como movimento estético/conceitual pra se transformar em mais um produto de cultura massiva. Galerias permeadas de burguezetes tatuados(as), adolescentes travestidos de American Pimp, ou Pin-Ups forçando na gostozice (as maria-latas). Meia hora de caminhada pela Augusta e eles se multiplicam. Street Art hoje é um rolê. Há algum glamour nisso. É uma tribo urbana com bases sólidas, instituída para dar lucro às Nikes e Adidas da vida. E, como em toda tribo urbana, o olhar para os de dentro é cada vez maior. O foco é o sucesso interno, é o destaque no nicho. Como diz Michel Maffesoli, em seu O Tempo das Tribos, "(...) o que está em jogo é a potência contra o poder, mesmo que aquela não possa avançar senão mascarada para não ser esmagada por este".

Observando-se o Flickr de Angelo Dias, fotógrafo que cobriu a ação, nota-se a presença de poucos daqueles que condizem com a realidade social de uma das pixações (100% favela). A burguesia intelectualóide(!) também quis inserir-se no rolê da Street Art. Todos pregando a liberdade de SUA arte e igualdade ao irmão da perifa, sem nunca esquecer de fechar o vidro do carro no semáforo, pra não ter o iPhone tomado e nem precisar dar grana pro pivete sujo. No final, todos voltam à natureza humana, onde o meu bem estar vêm à frente do bem estar alheio. O que vale é ter lata na mão, Dunk no pé, braço fechado e atitude. Desenhar bem é detalhe.

Existe interesse real na arte entre estes que levantam bandeira da liberdade de expressão artística? Não creio. Talvez poucos saibam de Basquiat e Haring, menos ainda de Lichtenstein e quase nenhum de Tzara e Arp. Mas na arte contemporânea não é necessário olhar para o passado. A arte contemporânea aboliu o questionamento do que é ou não é arte. Hoje tudo vale. A expressão está acima do talento, mesmo que ela parta das cabeças mais medíocres. Não se pode vetar, o "desenvolvimento" artístico é livre. Enquanto isso, o Liceu de Artes carioca não tem professores de arte que saibam desenhar(!), já que isso não condiz com a atual estrutura do mercado da arte.

E assim, os Street Artists de pouco talento vão continuar fazendo barulho com ações de vandalismo, tentando impor sua arte às pessoas sob o pretexto de "mudar o cinza da cidade". Eu gosto desse cinza.

Fotos: Angelo Dias

PS: Essa é uma crítica pessoal, e não necessariamente representa o pensamento do corpo editorial da Revista APES. Manifestações de ódio, desprezo, concordância ou apoio podem ser enviadas para nosso email revistaapes@gmail.com.

9/13/2009

Vasili Zorin

Vasili Zorin é um ilustrador de Moscou, Rússia. Estudante de arte em São Petesburgo, o rapaz de 23 anos faz ilustrações pro mercado editorial e está tentando publicar sua primeira Graphic Novel, Kink Radio. Seu trabalho é impressionante. Vasili desenvolveu um estilo pictórico belíssimo, com cores de alto contraste sem estourar a iluminação das cenas, dando uma roupagem vintage às suas páginas. Provavelmente, as referências de ilustrações não convencionais de artistas da Ásia (em especial Cingapura, Japão e Coréia do Sul) tenham influenciado diretamente em sua paleta de cores, extremamente vibrante.









Dá pra ver até um pouco de Tekkon Kinkreet aí. Veja mais do talento de Vasili em seu blog, e mais imagens de sua Kink Radio em seu portfólio no Behance.

-TC-

9/07/2009

La Vida Loca

Christian Poveda, fotógrafo e documentarista, correu o mundo registrando a imagem e a informação, para agências de notícias. Especializou-se na América Latina, esteve em Cuba, Argentina, El Salvador, onde cobriu a guerra civil. Fez matérias sobre o Sendero Luminoso no Peru, e Ferdinand Marcos nas Filipinas. Esteve também no Irã e no Iraque. Porém, antes de tudo foi um humanista, comprometido com o que acreditava, com a notícia, com a denúncia.

Realizou 16 documentários á partir dos anos 80. Foi um realizador independente, dirigindo, filmando e lançando o próprio material. O último deles, é o que dá nome a esse post. "La Vida Loca" é um longa de 90 minutos que narra as vivências brutais, e rivalidades das gangues de rua, Mara 18 e Mara Salvatrucha também em El Salvador. Ambas tem estreita ligação com células do crime organizado pelo mundo. Conta-se que durante as filmagens ele presenciou 7 homicídios, sendo 3 seus entrevistados.

Semana passada, o diretor foi encontrado morto em seu carro. O caso gerou comoção e manifestações de apoio. Acredita-se que o assassinato tenha sido motivado por vingança uma vez que alguns Mara 18 foram identificados e presos depois da exibição do filme. A parte de tudo isso, fica a mensagem, a denúncia, e o papel constetório de quem não permite que o status quo, seja ele em posse do poder paralelo ou não, domine.

Impossível não lembrar de Robert Capa ou de nosso Tim Lopes. Sua morte nos entristece. Por outro lado, ficam as lições e inspiração para todos os documentaristas independentes que fazem da sua criatividade, a crítica do mundo imediato.



9/03/2009

Sophie Calle - Cuide de você

Essa semana finalmente fui ao sesc pompéia ver a exposição da artista francesa Sophie Calle, intitulada "Cuide de Você". Precisa ver esta exposição não só pela sua repercussão mundial, desde que foi apresentada pela primeira vez ao público na bienal de Veneza em 2007, mas também por motivos pessoais, coisas relacionadas a minha própria vida, o que é muito coerente em relação a "Cuide de Você", pois esta é uma exposição que trata da vida da autora.
Sophie Calle faz de sua vida uma obra de arte, quebrando deste modo o distanciamento entre obra e artista, que acontece em muitos casos.
"Cuide de Você" nasceu de uma carta de ruptura que a artista recebeu de seu namorado, e sem saber como responder a carta, Sophie enviou-a para 107 mulheres de diferentes países e profissões, para que estas fizessem a análise e respondessem a carta. O resultado é surpreendente, e mostra realmente o quanto as nossas escolhas profissionais são relevantes para as nossas interpretações dos acontecimentos da vida.
As respostas são as mais variadas possíveis, de um origami feito por uma designer até uma avaliação extremamente contratual de uma juíza de direito, passando pelo SMS de uma adolescente que dizia: "Ele se sente!" uma típica frase adolescente, vinda de um típico meio de comunicação adolescente, o telefone celular!


Pensar "Cuide de Você" é pensar não somente no quanto é difícil o término de um relacionamento, mas também é refletir sobre como podemos nos entender dentro destes relacionamentos e com este turbilhão de emoções e sensações que sentimos, além do fato de percebermos as interpretações de uma situação óbvia, podem realmente sofrer variações de acordo com a forma que enxergamos o mundo.
A estrutura da exposição é constituída por imagens fotográficas belíssimas, juntamente com as cartas e outros materias, que são as respostas das 107 mulheres, além de vídeos de atrizes, cantoras e outras artistas lendo, cantando e interpretando a carta, além disso, você pode dar a sua resposta para a carta recebida por Sophie e quem sabe ver está resposta no site da artista na internet.
Se você está em uma fase ruim no seu relacionamento, talvez lá você encontre algumas respostas.

Cuide de Você!